A Dança de Salão

        Motor nos quadris, asas nos pés, cabeça leve como pluma. Elegância, beleza, arte. Dançar pode ser uma celebração da própria vida, um convite ao prazer, um deslizar no compasso do coração. Numa simples pista de dança – para os amadores, ou sob as luzes da ribalta, para os profissionais – o vaivém dos corpos mostra que os gregos antigos estavam cobertos de razão. Sócrates, o filosofo dizia que “ os que honram melhor os deuses pela dança são também os melhores no combate. A dança forma cidadãos completos.” Já Anacreonte circulava por Atenas garantindo que “ quando o ancião dança, conserva seus cabelos de velho, mas o seu coração é de um homem jovem.” Sábias palavras.

        Como cultura, arte, educação, terapia, lazer , exercício, ou comunicação, a dança de salão tem mexido com todas as gerações, e é uma necessidade de nossa época. Vinculada à magia, ao trabalho, à festa e aos saberes, ela resgata componentes lúdicos que contribuem para o (re)encantamento da vida coletiva.

       O homem dançou, em quase todas as civilizações, tanto para falar sobre o que honra, ou sobre o que o emociona, como para traduzir com esta linguagem a sua cultura e a sua época.

       O acúmulo de bens simbólicos, decantados durante séculos, nos mostra que, ao produzir sua existência, o homem vem nos legando, através da educação e da cultura, uma riqueza artístico-cultural que nos possibilita, hoje, apreciar tanto a um solista, como a uma orquestra, um coral, uma companhia de teatro, ópera ou dança. Nesta multiplicidade de manifestações, inscreve-se a dança popular e, nesta, a dança de salão.

       Considerada importante para a nobreza como elemento de formação social, a dança de salão teve, nos salões da aristocracia, o minueto como o seu precursor. Depois, a valsa dividiu espaço com a polca, dançadas no século XIX por toda a Europa. Outros ritmos, como o tango, o swing, a rumba, o mambo, o cha cha cha , a salsa, o bolero, o samba, o forró e o zouk festejam-se nos salões de todo o mundo no século XXI.

       Mas, o que leva o homem a dançar? Sem dúvida, uma necessidade interior que emerge da interseção entre o seu corpo físico e o espiritual. Neste sentido, a dança é uma atividade educativa, artística e social. Isto porque, sabidamente, a dança constitui-se em formas de expressão de sentimentos, de expressão pessoal e cultural. Pensar/ dançar é reconciliar o corpo com o espirito. Mover-se afirmativamente. Sentir o corpo dignificado por uma agilidade superior, encontrar o caminho para o estético, para a expressão. Não se trata de criar uma nova magia, alheia a vida e sem alcance sobre ela, mas de vivenciar, exprimir-se, criar, e a vida de um povo. estreitar relações com a natureza humana , a sociedade.

         Assim, a dança de salão é uma necessidade de nossa época. Vinculada a magia, ao trabalho, à festa, às artes, aos saberes, ela pode e deve se constituir numa via de fortalecimento da dimensão simbólica de uma sociedade, haja vista que, a vida cotidiana contém componentes lúdicos que, se resgatados, ou assegurados, poderão contribuir para o reencantamento da vida coletiva.